Escultura

A evolução da escultura em Portugal decorre paralelamente à da arquitectura, sendo frequentemente seu complemento.

Séculos XII a XVII

O ROMÂNICO


Portal da Igreja de Bravães

Figuras plenas de simbolismo encontram-se patentes nos portais, tímpanos, capitéis e cachorradas das grandes catedrais como Braga e Lisboa, ou dos pequenos templos, especialmente no Norte, de que Bravães é exemplo.

O GÓTICO


Túmulo de D. Inês

A escultura gótica denotou sempre uma grande sobriedade, sendo notável a variante tumular, onde sobressaem os extraordinários túmulos de D. Pedro e de D. lnês no Mosteiro de Alcobaça e os túmulos reais de D. João l e de D. Filipa de Lencastre, na Batalha, sem esquecer as estátuas-jacentes do conde de Ourém e do navegador Diogo de Azambuja


Portal dos Apóstolos, Mosteiro da Batalha

Estes trabalhos são produto da criação de Mestre Pêro de Coimbra, do Mestre das Alhadas ou de Diogo Pires, o Velho

Os portais da Batalha e da Sé de Évora, verdadeiras obras-primas, são outro exemplo da estatuária portuguesa.

O RENASCIMENTO

A vinda de mestres franceses, flamengos e biscainhos influenciou a produção escultórica da renascença nacional. Numa 1.ª fase, é a madeira a matéria-prima, destacando-se o retábulo da Sé Velha e o cadeiral de Santa Cruz, ambos em Coimbra. Chanterenne, introdutor da nova estatuária, é o autor das figuras da porta axial dos Jerónimos. João de Ruão, prolixo arquitecto, transformou Coimbra num importante centro de onde saíram obras para todo o País.


Porta axial do Mosteiro dos Jerónimos

Manuel Pereira, maneirista, é o mais notável escultor seiscentista. A madeira, matéria-prima base, exprime-se tanto em estatuária, como em cadeirais e retábulos. Este trabalho de talha encontra nos irmãos Gaspar e Domingos Coelho os seus melhores intérpretes - retábulo de S. Domingos de Benfica.

Se a Escola barrista de Alcobaça produz das mais belas peças barrocas portuguesas, será a talha dourada, símbolo da exteriorização de uma riqueza que tarda em aparecer, que envolverá e decorará á saciedade o interior dos templos, obrigando a integração das outras artes decorativas. 

É o estilo nacional, que perdurará até ao período joanino do barroco romano - S. Roque: Capela de Nossa Sra. da Piedade -, terminando num rococó variado, que será disciplinado pelo classicismo severo de Pombal.

Séculos XVIII e XIX


Estátua de D. José na Praça do Comércio

Machado de Castro concilia duas vertentes escultóricas: a arte barrista dos presépios e a grande estatuária existente na Basílica da Estrela, no Palácio da Ajuda e em Mafra, para além da já mencionada estátua equestre de D. José.

Soares dos Reis, ultrapassando as fronteiras do naturalismo, cria peças que exprimem correntes tão díspares como o realismo, o idealismo e o romantismo - O Desterrado, D. Afonso Henriques, A Morte de Adónis.

Simões de Almeida e Teixeira Lopes perfilharam, igualmente, o naturalismo.

Século XX


Padrão dos Descobrimentos

Sob a influência de Rodin, Francisco Franco, a figura mais destacada da década de 50, será o autor de obras como a estátua equestre de D. João IV (Vila Viçosa) e do Monumento a Gonçalves Zarco.

Leopoldo de Almeida optará pela estatuária histórica - Padrão dos Descobrimentos, Barata Feyo e Canto da Maya renovam os aspectos tradicionais da escultura.


Escultura de João Cutileiro no recinto da Expo'98

Na sua esteira, António Duarte, Joaquim Correia e Lagoa Henriques afirmam-se como novos valores com diferenças criativas próprias.

A abstracção entra na escultura pelas obras de Jorge Vieira e de Arlindo Rocha.

Os caminhos que traçaram reflectem-se na produção de Charters de Almeida expressionista, João Cutileiro, José de Guimarães, José Pedro Croft e Rui Sanches, autores de obras profundamente inovadoras no panorama da escultura portuguesa.

 

 


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