Cinema

Aurélio Paz dos Reis |
A menos de um ano de
distância da primeira sessão pública em Paris do cinematógrafo
Lumiére, Aurélio Paz dos Reis, fotógrafo amador do
Porto, projectava em 1896 os primeiros filmes produzidos em
Portugal, dando assim início à história do cinema
português.

Leitão de Barros |
As duas décadas seguintes
foram o percurso natural de afirmação desta nova arte,
através da acumulação da experiência trazida pelas
firmas produtoras e pelos realizadores.
É na década de 30,
porém, que surgem alguns dos nomes que iriam marcar a
futura produção cinematográfica, desde logo Leitão de
Barros, Manoel de Oliveira, António Lopes
Ribeiro, Jorge
Brum do Canto, Chianca de Garcia.

A Canção de Lisboa |
É também nesta década
que se dá início a uma série de comédias de cariz
popular, nomeadamente A Canção de Lisboa e A
Aldeia da Roupa Branca, de Cottinelli Telmo, e Maria
Papoila, de Leitão de Barros.

A Aldeia da Roupa Branca |
Todavia, é nos anos 40 que
o cinema português atingirá um dos seus mais altos
expoentes com a realização de várias comédias de
costumes, em que a graça, a mestria das representações, a
música e por vezes até o burlesco se misturam, para
proporcionar filmes de humor inexcedível ainda hoje
notáveis.

O Pátio das Cantigas |
De entre eles citam-se como
exemplo O Pai Tirano, O Costa do Castelo, O
Pátio das Cantigas, A Menina da Rádio, O
Leão da Estrela, sendo de destacar as representações
de António Silva, Vasco Santana - os maiores actores de
comédia de todos os tempos do cinema português - de Ribeirinho,
Maria Matos, Beatriz Costa, Laura Alves, etc.

Camões |
A década de 40 é ainda
marcada pela realização de outros filmes, que vão do
drama da gente do mar como Ala-Arriba, de Leitão de
Barros, à adaptação de obras literárias de que é
exemplo Amor de Perdição, até ao filme de
carácter histórico Camões e Frei Luís
de Sousa todos de António Lopes Ribeiro. Manoel de
Oliveira marca a sua presença com a notável realização
de Aniki-Bóbó.

Verdes Anos |
A produção dos anos 50
é, de certo modo, incaracterística, embora ainda bastante
volumosa. Os sinais de mudança e renascimento do cinema
nacional só surgiriam com a apresentação de Dom
Roberto, de Ernesto de Sousa, em 1962, e, no ano
seguinte, de Verdes Anos, de Paulo Rocha.

Domingo à Tarde |
Tal viragem
foi reconfirmada com outras produções como Pássaros de
Asas Cortadas, de Artur Ramos, O Acto da Primavera,
de Manoel de Oliveira, Belarmino, de Fernando Lopes e
Domingo à Tarde, de António de Macedo. A
adaptação literária ao cinema é explorada sem grande
sucesso por Manuel Guimarães com O Crime da Aldeia Velha
e O Trigo e o Joio.
Em 1970, são aprovados os
estatutos do Centro Português do Cinema, uma cooperativa de
jovens cineastas, subsidiada pela Fundação Gulbenkian, que
irá produzir os primeiros filmes já em 1971. Mas, o cinema
de renovação tem dificuldade em afirmar-se. Assim, por um
lado continuam as produções de carácter sentimental,
enquanto por outro se luta por impor um cinema intelectual e
de qualidade, mas por vezes de conteúdo difícil.

O Cerco |
Entretanto, novos cineastas
começam a adquirir experiência fazendo curtas metragens e
documentários para a televisão, muitos dos quais ganharam
prémios internacionais.
No que respeita às produções
cinematográficas desta década merecem destaque O Cerco,
de António da Cunha Telles, Pedro Só, de
Alfredo
Tropa e O Recado, de José Fonseca e
Costa.
Em Dezembro de 1971 é
criado o Instituto Português de Cinema com a finalidade de
proteger e subsidiar a cinematografia nacional.

Manoel de Oliveira |
Manoel de Oliveira
reaparece com O Passado e o Presente, Fernando Lopes
faz a adaptação do romance Uma Abelha na Chuva e
Manuel Guimarães apresenta Lotação Esgotada.
Em
1973, estreia-se Perdido por Cem, de António Pedro
Vasconcelos, e Eduardo Geada afirma-se com Sofia e a
Educação Sexual.

Amor de Perdição |
Após o 25 de
Abril de 1974, o cinema português adquire uma nova feição
e torna-se um espaço cultural de responsabilização
individual e social.
Surgem as unidades de produção e as
cooperativas (CPC, Cinequanon, Cinequipa, Arca, Grupo Zero,
entre outras) que, juntamente com o aparecimento e o
espírito de inovação de vários cineastas, dão origem a
uma realização cinematográfica de intervenção e
qualidade.
Salientam-se alguns filmes: Adeus, Até ao Meu
Regresso, de António Pedro Vasconcelos, Os Demónios
de Alcácer Quibir, de José Fonseca e Costa; Deus
Pátria e Autoridade, de Rui Simões, A Fuga, de
Luís Filipe Rocha, Nós por cá todos bem, de
Fernando Lopes, Antes do Adeus, de Rogério
Ceitil,
ou Amor de Perdição, de Manoel de
Oliveira, onde a
preocupação de uma reflexão sócio-política se une à
escolha e à descoberta de jovens actores e de outros
valores.

Cartaz de Kilas o Mau da
Fita |
Já na década de 80, o
cinema português atinge uma nova vitalidade e uma nova
projecção nacional e internacional. Referem-se, entre
muitos, Kilas o Mau da Fita, de Fonseca e
Costa, Manhã
Submersa, de Lauro António, Cerromaior, de
Luís
Filipe Rocha, Francisca, de Manoel de
Oliveira, Crónica
dos Bons Malandros, de Fernando Lopes, Os Abismos da
Meia-Noite, de António Macedo, A Noite e a Madrugada,
de Artur Ramos, O Lugar do Morto, de António Pedro
Vasconcelos, Ninguém duas Vezes, de Silva Melo e Um
Adeus Português, de João Botelho.

O Lugar do Morto |
Prémios nacionais e
estrangeiros são atribuídos a algumas produções, sendo o
caso de Le Soulier de Satin, de Manoel de
Oliveira,
consagrado com o Leão de Ouro do Festival de Veneza, Os
Canibais, do mesmo realizador, que recebeu o palmarés
do Prémio Europeu de Cinema e de A Mulher do Próximo,
de Fonseca e Costa, com o prémio do Festival de Huelva.
Dentro do País, evidencia-se o Troféu de Ouro atribuído
à longa metragem de Paulo Guilherme Iratan e Iracema,
bem como o recente prémio alcançado por João Botelho, em Tempos
Difíceis.

Cinemateca
Portuguesa/Museu do Cinema |
Em substituição da
Cinemateca Nacional, criada em 1948, e cujo desenvolvimento
se deve ao esforço e interesse do Dr. Félix Ribeiro,
nasce, em 1980, a Cinemateca Portuguesa. Este organismo tem
como objectivos fundamentais colaborar com instituições
congéneres de outros países, contribuir para a
organização de retrospectivas de cinema português no
estrangeiro e apoiar a realização de ciclos de cinema em
vários locais do País. Na sua programação anual
apresenta um número significativo de filmes inéditos ou
nunca exibidos comercialmente ou não vistos em Portugal há
mais de vinte anos.
A Cinemateca Portuguesa
possui uma colecção de 5000 títulos de filmes portugueses
e estrangeiros, além de uma vasta documentação
cinematográfica de carácter histórico, estético,
crítico, técnico e de divulgação.
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