Arquitectura
Antes do século XII

Citânia de
Briteiros, Guimarães |
Aquando da ocupação
romana no território, que viria a ser Portugal, a
população autóctone vivia em aglomerados urbanos
caracterizados por casas de planta circular - os castros -,
como o de Briteiros, predominantes no Norte, enquanto no Sul
dominam as influências grega e cartaginesa.

Templo romano em
Évora |
Sendo o
período romano o melhor documentado, persistem exemplos de
arquitectura religiosa e civil: o Templo de Évora, o
Criptopórtico de Coimbra, a cidade de
Conímbriga,
para além de outras obras do génio civil, como pontes,
estradas, anfiteatros, termas, etc.

Capela de S.
Frutuoso de Montélios |
Do período visigótico
destacam-se a Igreja de S. Pedro de Balsemão, perto
de Lamego, e a capela de S. Frutuoso de Montélios,
em Real (Braga), edifício que combina elementos bizantinos
e visigóticos, e sem esquecer a excelente colecção de
elementos arquitectónicos visigóticos existentes no Museu
de Beja.
Apesar da prolongada
ocupação árabe, não existem obras de vulto, devido à destruição sistemática perpetrada pela Igreja. O templo
de Mértola, antiga mesquita convertida ao culto
católico, e a influência patente na construção
tradicional no Sul do País, são os indicadores mais
objectivos da permanência árabe.
Sendo permitido o culto
cristão aos moçárabes, os seus templos testemunham a
conjugação de elementos das duas culturas. Este estilo
moçárabe tem na Igreja de S. Pedro de Lourosa um
dos seus últimos representantes.
O Românico

Sé de Braga |
A reconquista da Península
Ibérica trouxe diversos nobres do Centro e do Norte da
Europa, que introduziram, nos seus novos feudos, as
correntes estéticas então em voga. Deste modo, o Norte e o
Centro portugueses, as primeiras áreas conquistadas, vão
sentir nas suas igrejas, maioritariamente, a influência
construtiva de Cluny - o românico.
A Catedral de Braga,
embora bastante modificada, ao longo dos anos, influenciou a
arquitectura religiosa nortenha, aliando uma política de
autonomia para com Toledo e Santiago de Compostela, com a
criação de novas paróquias, sob a sua jurisdição.

Sé Velha de
Coimbra |
A Sé Velha de Coimbra
e a Sé de Lisboa demonstram, admiravelmente, outras
soluções do românico português. A Catedral de Évora
prenuncia já a transição para o gótico. As influências
de tipo mediterrânico nela introduzidas dão-lhe um cunho
original.
A Domus Municipalis,
em Bragança, permanece como um dos raros edifícios não
religiosos.
O Gótico. O Manuelino

Mosteiro de
Alcobaça |
Desde as primeiras
experiências no Mosteiro de Alcobaça à afirmação
do gótico dominicano, em Elvas, verificou-se uma evolução
que culminou no Mosteiro da Batalha. Este magnífico
conjunto arquitectónico, iniciado em 1388 por Afonso
Domingues, concilia o gótico clássico francês com
soluções flamejantes, introduzidas por Mestre Huguet na
Capela do Fundador.

Mosteiro da
Batalha |
O século XVI vê nascer o
manuelino, interpretação portuguesa do gótico
internacional e das concepções decorativas e espaciais do
Renascimento, sem esquecer os elementos mudéjares.

Mosteiro dos
Jerónimos |
Existem, em Lisboa, duas
excelentes construções que reflectem a época de
quinhentos: o Mosteiro dos Jerónimos e a Torre de
Belém. O primeiro, um dos mais brilhantes exemplares
manuelinos, foi iniciado em 1502, tendo nele trabalhado Boitaca, arquitecto francês, que planificou a obra segundo
as linhas estruturais do gótico final. João de Castilho
concluiu o mosteiro, introduzindo-lhe soluções
renascentistas. A igreja do mosteiro apresenta-se com três
naves da mesma altura, cobertas por uma única abóbada,
característica comum a diversas igrejas deste período, a
porta sul exemplifica, brilhantemente, a gramática
decorativa manuelina.

Torre de Belém |
A Torre de Belém,
iniciada em 1515 segundo traço de Francisco Arruda, é uma
importante obra de arquitectura militar, caracterizando-se
pela conjugação de soluções romano-góticas com
elementos de origem veneziana, exteriorizando uma rica
emblemática decorativa.
Em Tomar, o Convento da
Ordem de Cristo, palco de diversas intervenções
estilísticas, foi enriquecido, no período manuelino, com a
construção do corpo, do portal monumental e do maravilhoso
janelão da Casa do Capítulo, onde Diogo de Arruda
harmonizou sugestões vegetalistas, marítimas e realistas
com uma emblemática nacional - Cruz de Cristo, esfera
armilar e armas régias.
A Renascença

Igreja da
Conceição em Tomar |
João de Ruão e a cidade
de Coimbra constituíram o fulcro de irradiação do
renascimento português.
A Porta Especiosa da Sé
Velha de Coimbra (embora deteriorada pela corrosão),
devido ao equilíbrio de concepção e delicadeza de
execução ornamental, conjuntamente com a Igreja da
Conceição, em Tomar, onde se destaca a harmonia geral
das linhas, representam os mais puros exemplos do
renascimento português.

Igreja de S.
Roque |
O maneirismo
caracterizou-se pela construção de templos de linhas
depuradas e severas, de superfícies planas, respondendo aos
quesitos de uma arquitectura mais de função que de
fachada, mais virada para o interior, onde sobressai uma
decoração requintada, que apela ao azulejo e á talha
dourada, numa feliz harmonia.
A Igreja de S. Vicente
de Fora e a de S. Roque, em Lisboa, a Sé Nova
de Coimbra, as Igrejas da Graça e do Espírito
Santo, em Évora, e o Seminário de Santarém apresentam
diferentes soluções, oriundas de Itália.
O Barroco

Torre dos
Clérigos |
A sensibilidade portuguesa
introduz-lhe uma exuberância, uma fantasia e um dinamismo
fortemente apoiados na nova riqueza aurífera brasileira. As
formas tradicionais portuguesas conjugam-se admiravelmente
com o novo formulário, em especial no Norte do País, onde
proliferam igrejas e solares, como o de Mateus, da
autoria de Nasoni. Da arquitectura religiosa destacam-se, no
Porto, a Torre e a Igreja dos Clérigos (1732), de
Nasoni, e a igreja do Carmo. Os santuários nortenhos
- de que o Bom Jesus de Braga é exemplo -
caracterizam-se por soluções próprias, que serão
exportadas para o Brasil.

Convento de Mafra |
Na região de Lisboa, o Convento
de Mafra, segundo traço de Ludovice, reflecte a
monumentalidade e o gosto das concepções germânicas
barrocas. A fachada, singularmente equilibrada apesar da sua
amplitude, alberga um conjunto de estátuas do escultor
Giusti.

Palácio de
Queluz |
O Palácio Real de
Queluz não nega o seu estatuto de pequeno Versailles. A
harmoniosa Basílica da Estrela, ainda influenciada por
Ludovice, sofreu alterações segundo esquemas
neoclássicos. As plantas destes dois edifícios foram
traçadas por Mateus Vicente.
O Aqueduto das Águas
Livres, de Lisboa, importante obra de engenharia civil
atribuída a Manuel da Maia e Custódio Vieira, trouxe á
capital a água de que tanto necessitava. A arquitectura
barroca portuguesa introduziu, como parte integrante, a
talha dourada e o azulejo, que cobriam por completo o
interior dos edifícios, em conjugações harmónicas e
soluções arrojadas.
O Neoclassicismo

Palácio da Ajuda |
De inspiração francesa e
italiana, penetrou em Portugal nos finais do século XVIII,
prolongando-se pelo século XIX.
Em Lisboa, o Palácio de
S. Bento, uma das mais significativas construções
neoclássicas portuguesas, remodelado por Ventura Terra,
albergou desde o início o Parlamento (1898).
O Palácio
da Ajuda, de José da Costa e Silva, pretendia ser o
Palácio Real, mas dificuldades diversas reduziram-lhe as
dimensões previstas, sendo hoje um palácio-museu e sede do
IPPC (Instituto Português do Património Cultural).

Teatro Nacional
D. Maria II |
Os Teatros Nacional D.
Maria II e de S. Carlos adoptaram formulários
neoclássicos, mas de origem diversa.

Praça do Comércio |
Lisboa, após o terramoto
de 1755, foi profundamente remodelada. A planta da parte
baixa da cidade reflecte a sobriedade, a larga visão e o
sentido urbanístico do engenheiro Eugénio dos Santos.
A
bela Praça do Comércio, quadrangular, contrapõe-se
à do Rossio, estando ligadas entre si por três artérias
principais. A estátua equestre de D. José, de
Machado de Castro, empresta um cunho real àquela
planimetria virada para o rio.
O Romantismo

Estação do
Rossio |
Manifesta-se, em Portugal,
principalmente no revivalismo do Manuelino - Estação do
Rossio, em Lisboa, e Palácio Hotel do Buçaco.

Palácio da Pena |
O Palácio Nacional da
Pena, em Sintra, representa o sonho de um rei-consorte
romântico, integrando-se perfeitamente no parque que o
circunda.
Paralelamente, outros
revivalismos se fazem sentir: moçárabe (Palácio de
Monserrate, em Sintra, Salão Árabe da Bolsa, do
Porto), neo-românico e neo-gótico (diversas casas na zona
da Costa do Sol).
O Século XX

Casa dos Patudos |
No início do século, a
Arte Nova projectar-se-á em moradias e edifícios, situados
maioritariamente em Lisboa, Coimbra e Leiria.
O arquitecto Raul Lino,
teorizador da casa portuguesa, projecta e constrói
diversas moradias segundo o seu ideário: Casa dos
Patudos, em Alpiarça e a Casa do Cipreste, em
Sintra.

Instituto
Superior Técnico |
Os anos 30 vêem surgir
novas concepções arquitectónicas o cinema Capitólio,
de Cristino da Silva (1925), o Pavilhão do Rádio,
de Carlos Ramos (1927), o Instituto Superior Técnico
(1927/35) e a Igreja N.ª Sra. de Fátima (1938),
ambos de Pardal Monteiro, tendo contado esta última com a
colaboração dos principais artistas da época: os
escultores Leopoldo de Almeida, Francisco Franco,
Barata
Feyo e o pintor Almada Negreiros.
Nos anos 40 assiste-se á
construção do Areeiro, de Cristino da Silva, á Standard
Eléctrica, de Cottinelli Telmo, para além da Exposição
do Mundo Português, de que restam alguns edifícios em
Belém.
A evolução a partir de 1950

Olivais |
Com a realização do
Congresso de Arquitectura (1948), provocaram-se pontos de
ruptura com o gosto tradicionalista, imprimindo-se novos
rumos á arquitectura portuguesa.
Ao orientar numa linha de
modernidade o ensino na Escola Superior de Belas-Artes do
Porto, Carlos Ramos cria uma nova escola. Surgem projectos
urbanísticos que integram quer habitação social (Bairro
de Alvalade) quer os enunciados programáticos,
inseridos na Carta de Atenas, de Le Corbusier (Avenidas
Infante Santo e Estados Unidos da América), quer
ainda soluções do tipo cidade-jardim (Olivais Norte
e Sul).

Museu Calouste
Gulbenkian |
Edifícios como o Bloco
das Águas Livres, o Museu Calouste Gulbenkian, a
Igreja do Sagrado Coração de Jesus, o edifício
Castil ou o Pavilhão da FIL divulgam nomes como
Teotónio Pereira, Nuno Portas, Pedro Cid,
Ruy Atouguia,
Tomás Taveira e Keil do Amaral.
No Norte, à União
Eléctrica Portuguesa, à Cooperativa do Lordelo
e ao Mercado da Vila da Feira estão ligados os nomes
de J. Godinho, Siza Vieira e Fernando
Távora.
O Estado Novo, dentro de
uma linha monumentalista, empreende a construção da Cidade
Universitária de Coimbra, os Hospitais Escolares de
Santa Maria (Lisboa) e de São João (Porto), e o
conjunto universitário do Campo Grande, pelo
arquitecto Pardal Monteiro, em 1961.

Pavilhão de
Portugal na Expo'98, de Siza Vieira |
O Turismo e a descoberta do
Algarve vão permitir, entre as décadas de 60 e 70, o
projecto e a construção de excelentes unidades hoteleiras,
como o Hotel Garbe (arquitectos Jorge Chaves e
Frederico Santana), o Hotel Balaia (arquitectos
Conceição Silva e Maurício Vasconcelos), Vila Lara
(arquitecto Almeida Araújo) e o Complexo de Vilamoura,
onde o arquitecto Vieira de Almeida teve importante
intervenção.
Na presente década, salienta-se a
concepção urbanística de Tomás Taveira (Complexo das
Amoreiras) e a valiosa obra de Siza Vieira, convidado a
realizar o projecto de recuperação da zona do Chiado em
Lisboa, parcialmente devorado pelas chamas, em Agosto de
1988.
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