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História de Portugal
Origem, Formação e
Consolidação da Indepência
(meados do século XI a
1385)

Castelo de
Guimarães |
Portugal tem oito séculos
de história como país independente. O seu nome provém da
antiga povoação PORTUCALE situada na foz do rio Douro, e
da qual já havia notícia no século VII.
O Condado Portucalense. O Reino de
Portugal
Início do século XI,
tempo de Cruzadas. A Península Ibérica era um mosaico de
reinos onde cristãos e muçulmanos se combatiam.
A estratégia defensiva
cristã do rei de Leão e Castela deu origem à formação
do Condado Portucalense, território compreendido entre os
rios Minho e Tejo.
Foi seu primeiro governante, com título
hereditário e dever de vassalagem, o conde D. Henrique, um nobre francês que
veio à Península em missão de cruzada e aqui se fixou
casando com D. Teresa, uma das filhas do rei de Leão e Castela.

D. Afonso
Henriques |
Circunstâncias várias
forjaram no Condado tendências autonómicas a que D. Afonso
Henriques, filho do primeiro conde portucalense, deu
expressão prática. Chefiou em 1128 a revolta contra o
Governo de sua mãe, já viúva, influenciada por um nobre
galego, e venceu. Prosseguiu a guerra para expulsar os
muçulmanos da Península, alargou os limites do Condado,
lutou contra Castela para se libertar da vassalagem.
Em 1140
proclamou-se rei. Foi o primeiro rei de Portugal. O título
foi-lhe reconhecido, poucos anos depois, pelo rei de Leão e
Castela e pela Santa Sé em 1179.
Alargar as Fronteiras e Desenvolver
Portugal
Para alargarem as
fronteiras de Portugal, dando-lhe por limite sul o oceano
Atlântico, os reis portugueses combateram os muçulmanos,
durante um século, tendo recebido auxílio de ordens
monástico-militares e de Cruzados em trânsito para a Terra
Santa. O Algarve foi conquistado em 1249. Entretanto tiveram
de resolver os problemas da guerra, da administração e do
povoamento do território, e confrontaram-se, muitas vezes,
com o clero e a nobreza para reforçarem o poder político
real.
Na segunda metade do
século XIII houve um período de paz que viabilizou o
desenvolvimento da agricultura, silvicultura, comércio e
construção naval, mas também uma evolução cultural
fecunda propícia à criação da primeira Universidade
portuguesa (1290). Socialmente, deu-se a valorização da
burguesia, ligada ao comércio, dos artesãos e a ascensão
política do povo pela primeira vez representado nas Cortes
(1254).
No século XIV definiu-se o
rumo oceânico da história de Portugal. Nessa época, os
navios mercantes portugueses já navegavam para o mar do
Norte, no Mediterrâneo, dirigiam-se às Canárias e, para
defenderem a navegação e o litoral português dos ataques
de corsários, iam até ao Cabo Não. A protecção legal
dada ao comércio marítimo, depois da segunda metade do
século XIV, estimulou a orientação seguida pela economia
nacional.
No campo da política
externa, a aliança de amizade e paz com a Inglaterra (1373)
marcou o futuro das relações internacionais portuguesas.
A Peste Negra. Crise de Sucessão
Dinástica. A Revolução de 1383-1385

Casamento de D.
João I com D. Filipa de Lencastre, celebrado em 1387
na cidade do Porto |
Portugal foi assolado, em
meados do século XIV, pela peste negra que dizimou a
população, de forma sensível. Este facto despoletou
perturbações na economia, agitação social e decisões
políticas que viriam a repercutir-se no futuro do País.
Nesta conjuntura, a
independência portuguesa entrou em crise devido a problemas
de sucessão dinástica (1383), pois não havia herdeiro
varão e a filha do monarca falecido casara com o rei de
Castela. Factores diversos, conjugados com a notícia de que
Castela faria prevalecer os seus direitos ao trono de
Portugal, desencadearam um movimento nacionalista que agitou
o País.
D. João, Mestre da Ordem
de Avis, encabeçou a revolta contra o poder instituído. A
revolução triunfou, tendo sido importante a participação
popular. Só em 1385 terminou a situação revolucionária.
O Mestre de Avis, reconhecido pelas Cortes como legítimo
sucessor ao trono, foi aclamado rei com o nome de D. João
I.
Reconfirmação da Independência

Batalha de
Aljubarrota |
Resolvida a sucessão ao
trono, faltava garantir a independência nacional. D. João,
era ainda regente do Reino, preparou a resistência ao
invasor castelhano. Os exércitos português e espanhol
defrontaram-se (1384-1385), mas Portugal quase sempre saiu
vencedor. A 14 de Agosto de 1385 deu-se o confronto final na
famosa Batalha de Aljubarrota tendo os portugueses saído
vencedores. Portugal foi auxiliado pelos ingleses com base
no Tratado de Aliança assinado com a
Inglaterra (1386), o mais antigo entre nações europeias,
enquanto a Espanha foi auxiliada pelos franceses.
Portugal reconfirmou a
independência quando findava o século XIV. O poder real,
marcado por espírito centralizador, deu início à expansão portuguesa além-fronteiras, favorecendo a
ascensão política da burguesia que o ajudara a conquistar
o trono.
Da Expansão Portuguesa ao
Interregno da Independência
(século XV a meados do
século XVII)

Muralhas
portuguesas de Ceuta |
Portugal abriu, no século
XV, nova página na história pátria e o caminho que rasgou
os limites do Mundo e deu ao Ocidente cristão a dimensão
ecuménica.
A expansão territorial portuguesa para além da
estreita faixa do território peninsular baseou-se em
factores de ordem geográfica, de tradição marítima, de
carências socioeconómicas como as de ocupar uma nobreza
cuja situação económica se agravara, de responder à pressão da burguesia, ansiosa por desenvolver a actividade
comercial, de alimentar a esperança do povo que desejava
melhor nível de vida, mas teve também fundamento no
espírito de cavalaria e de Cruzada e na existência de
homens decididos que lhe deram impulso e meios técnicos e
humanos para a concretizar.
A acção dos portugueses,
naquele período de mudança para a Idade Moderna,
processou-se em três sentidos: a conquista no Norte de
África ; a descoberta das terras a Ocidente e a
exploração da costa ocidental de África, navegando no
Atlântico, sempre para sul.
Expansão para o Norte de África

Infante D.
Henrique |
A conquista de Ceuta (1415)
marcou o início da expansão portuguesa para o Norte de
África, mas as vantagens económicas esperadas não se
concretizaram. A acção prosseguiu até ao começo do
século XVI, teve interrupções e por vezes derrotas
militares, no entanto, Portugal conseguiu fixar-se em
posições importantes como Arzila, Alcácer Seguer, Tânger
e Azamor.
Manter as conquistas
africanas, defendê-las dos ataques mouros era, porém,
tarefa militar difícil e economicamente ruinosa. Portugal
teve de abandonar algumas antes de meados do século XVI,
porque o esforço nacional concentrava-se no Oriente. A
política de expansão para África, retomada em 1578 com a
tentativa de conquista de Alcácer Quibir, falhou, e nesse
desastre militar o rei perdeu a vida. Abriu-se o caminho
para a perda da independência nacional.
Os Descobrimentos

Réplica da
caravela de Bartolomeu Dias |
O pequeno Portugal
lançou-se a descobrir novas terras, tarefa que não foi
produto da ousadia ou do acaso, teve preparação metódica,
objectivos económicos bem determinados, apoiou-se no ideal
de evangelização.
A expansão marítima rumo
ao ocidente conduziu à descoberta dos arquipélagos,
desabitados, da Madeira (1418) e dos Açores (1430). A
navegação no sentido sul, ao longo da costa de África,
levou Portugal a desfazer as lendas do mar tenebroso. Em
1460 entrou no golfo da Guiné, depois chegou a Angola,
suportou enormes dificuldades para passar do Atlântico para
o Índico, alcançou Moçambique e navegou até à Índia
(1498) para de lá trazer os produtos que a Europa desejava.
Concretizou um sonho e um projecto, ao fim de quase um
século de trabalho persistente. Depois não parou. Até ao
início do século XVII continuou a reconhecer e a descrever
as costas do Índico e do Pacífico, recebeu de oferta Macau
(1557), entrou na Oceânia, estabeleceu-se em Timor e os
portugueses foram os primeiros europeus que os japoneses
viram (1543).
Jornada
metódica exigiu o aprofundamento dos conhecimentos
náuticos portugueses, a criação de barcos (caravelas)
aptos a navegarem em mares abertos, longe da costa e em
difíceis condições climáticas, impôs elevados custos
financeiros e humanos.
| Grandes
Viagens de Navegadores Portugueses |
| Séculos
XV a XVII |
| 1418 |
Gonçalves
Zarco e Tristão
Vaz descobrem a ilha de Porto Santo. |
| 1419 |
Os
mesmos navegadores e Bartolomeu Perestrelo
chegam à ilha da Madeira. |
| 1427 |
Diogo
de Silves
inicia o descobrimento do arquipélago dos Açores. |
| 1437 |
Gil
Eanes passa
o cabo Bojador, na costa africana, destruindo as
lendas do mar tenebroso. |
| 1482 |
Diogo
Cão navega
até à foz do rio Zaire. |
| 1488 |
Bartolomeu
Dias
ultrapassa o cabo da Boa Esperança, abrindo a
passagem para o Índico. |
| 1495 |
Fernandes
Labrador
chega à Terra de Labrador, na América do Norte. |
| 1498 |
Vasco
da Gama
atinge Calecut. Concretiza-se o projecto nacional de
chegar à Índia por mar. |
| 1500 |
Descoberta
oficial do Brasil, por Pedro Álvares Cabral. |
| 1501 |
Gaspar
Corte-Real
descobre a Terra Nova. |
| 1514 |
Jorge
Álvares
chega à China. |
| 1519 |
Fernão
de Magalhães
inicia, ao serviço de Castela, a 1.ª viagem de
circum-navegação. |
| 1542 |
Rodrigues
Cabrilho
explora a costa da Califórnia. |
| 1543 |
António
da Mota, Francisco
Zeimoto e António Peixoto são os
primeiros navegadores ocidentais a chegar ao Japão. |
| 1601 |
Godinho
de Herédia
chega à Austrália. |
| 1606 |
Pedro
Fernandes Queiroz
navega no Pacífico, onde descobre as Novas
Hébridas, além de outros arquipélagos da
Polinésia. |
Esse enorme empreendimento
deu a Portugal predomínio nas costas ocidental e oriental
de África, criou o Império Português do Oriente (século
XVI), de que Goa era capital, levantou os marcos dos
descobrimentos portugueses em quatro continentes,
transformou Lisboa no grande empório da Europa onde
chegavam as especiarias, as sedas, as pedras preciosas.

Astrolábio |
Entretanto, navegadores ao
serviço dos reis de Espanha chegaram à América Central
(1492) e eclodiu um conflito de interesses entre os dois
países ibéricos pioneiros dos descobrimentos marítimos.
Por intervenção da Igreja foi assinado o Tratado de
Tordesilhas (1494) que dividiu as terras a descobrirem dois
hemisférios de influência cabendo um a Portugal e o outro
à Espanha. A exigência do monarca português, D. João II,
em deslocar o meridiano de separação mais para ocidente
permite admitir que os portugueses já sabiam da existência
do Brasil, onde oficialmente chegaram no ano de 1500.
Na época dos
descobrimentos Portugal virou-se para o mar e esqueceu a
terra. Foi navegador, mercador, guerreiro, viajante,
missionário. Os homens que intervieram neste empreendimento
náutico conheceram a riqueza e o fisco encheu os cofres com
os lucros iniciais da comercialização dos produtos do
Oriente. Mas o esforço de colonização do País,
lentamente feito desde a independência, não teve
continuidade e as estruturas produtivas atrofiaram-se,
especialmente a agricultura.
Na história da cultura
portuguesa do Renascimento, o período dos descobrimentos é
brilhante.
A Colonização. O Império da
Índia

A armada de Pedro
Álvares Cabral |
A descoberta dos
arquipélagos atlânticos da Madeira e dos Açores foi
seguida pela colonização, com o objectivo de rentabilidade
económica. Pouco tempo depois, entre outros produtos,
Lisboa recebia das ilhas cana-de-açúcar (madeirense),
trigo e pastel (açorianos).
No litoral africano a presença dos portugueses baseou-se,
fundamentalmente, em tratados de amizade e comércio com os
chefes locais, criação de feitorias, construção de
fortificações em pontos estratégicos. Aí se resgatava o
ouro, a malagueta e os escravos.
Quanto ao Brasil, os
primeiros colonos estabeleceram-se junto à costa e
dedicaram-se à cultura da cana-de-açúcar e á
exportação de pau-brasil. A crescente importância da
economia brasileira, beneficiada pela introdução de novas
culturas (algodão, tabaco) justificou, em meados do
século, a instalação de um Governo-Geral (1549). No final
do século XVII, as populações começaram a ser atraídas
para o interior em consequência da pesquisa e exploração
do ouro de aluvião.
A colonização e
evangelização do Brasil contou com o empenhamento das
ordens religiosas, em especial a Companhia de Jesus.

Palácio do
Hidalcão, o Palácio dos Vice-Reis, em Goa |
A fixação dos portugueses
no Oriente teve características diferentes pois surgiu a
necessidade de conquistar bases territoriais (núcleos de
comércio e de controlo das rotas marítimas) porque a
presença portuguesa no indico sofreu, desde o início, o
ataque dos interesses económicos já ali estabelecidos. O
Império das Índias foi um espaço geográfico
descontínuo, constituído por bases navais ou militares e
por um centro administrativo importante (Goa) de onde
irradiou a cultura ocidental e a acção missionária
cristã. Serviram-lhe de suporte as armadas que Portugal
enviava periodicamente e a acção local dos vice-reis,
hábeis estrategas ou chefes militares, alguns deles
apoiantes da fusão dos residentes portugueses com as
populações nativas.
Portugal manteve o
monopólio estatal do comércio com o Oriente até ao
terceiro quartel do século XVI, mas não pôde continuar a
assegurá-lo porque os encargos eram grandes e os lucros
começaram a diminuir devido á concorrência comercial de
ingleses e holandeses, aos ataques árabes, ao assalto dos
piratas aos navios vindos da Índia.
O Interregno da Independência
(1580-1640)

D. Sebastião,
retrato de Cristóvão de Morais |
Crise de sucessão
dinástica (1578) provocada pela morte do rei, na Batalha de
Alcácer Quibir, sem ter herdeiro. Dos candidatos ao trono o
mais poderoso era o monarca de Espanha (Filipe II), que fez
prevalecer os seus direitos e as Cortes portuguesas
aclamaram-no rei de Portugal (1581), com o nome de Filipe I.
O pretendente português lutou sem condições de êxito.
Durante sessenta anos a dinastia dos Filipes, da Casa de
Áustria, ocupou o trono português.
Na situação de monarquia
dual, integrado na grandeza do Império espanhol, Portugal
beneficiou de reorganização administrativa e
descompressão financeira, durante quatro décadas. Depois,
a Espanha fez a absorção política da nação portuguesa,
sobrecarregou-a de impostos, recrutou tropas e barcos para
as guerras que mantinha, descurou os territórios
portugueses de além-fronteiras. E no princípio do século
XVII, a Inglaterra e a Holanda, envolvidas em guerra com a
Espanha, atacaram Angola, povoações no Brasil, posições
do Império Português do Oriente.
Da Restauração da
Independência ao Fim da Monarquia Absoluta
(1640-1820)
Portugal Restaura a Independência

D. João IV |
A contestação ao domínio
espanhol acentuou-se, houve motins populares. Conjurados
portugueses aproveitando a situação interna e as
propícias coordenadas da política europeia, depuseram os
representantes do rei de Espanha e aclamaram D. João IV,
rei de Portugal. Recomeçou o conflito entre os dois Estados
peninsulares.
Defender a dinastia
nacional impôs actuar em duas frentes: preparação das
estruturas militares para responderem ao ataque espanhol e
intensa actividade diplomática junto das principais Cortes
europeias para obtenção de auxílio militar e
reconhecimento da independência de Portugal. A batalha
diplomática foi longa e difícil, porque envolvia tomadas
de posição das potências intervenientes na guerra dos
Trinta Anos em que se confrontavam a Casa de Áustria
(chefiada pela Espanha) e a Casa de França apoiada pela
Inglaterra. Durou mais de vinte anos a guerra pela
restauração da independência portuguesa. Portugal venceu
com a ajuda militar da Inglaterra mas as cláusulas do apoio
foram pesadas para os portugueses.
A MONARQUIA ABSOLUTA. O FIM DO
ANTIGO REGIME

D. João V |
Embora a tendência para a
centralização do poder do rei progredisse em Portugal
desde o século XV, foi a partir do final do século XVII
(1698) que se implantou o absolutismo. A Nação viveu, nos
primeiros cinquenta anos do século XVIII, em paz e
abastança. O desenvolvimento da exploração das jazidas de
ouro e diamantes do Brasil proporcionou grandes recursos ao
erário público e a nova fortuna do Estado viabilizou
importantes melhoramentos a nível da defesa, o
engrandecimento do património monumental e cultural. Não
criou, porém, estruturas económicas reprodutoras de
riqueza e o dinheiro esvaía-se em importações.
No terceiro quartel do
século, o País entrou no caminho da modernização. À luz
do dirigismo económico e do iluminismo cultural as
estruturas do Estado foram reorganizadas, reestruturaram-se
sectores da indústria (têxteis de lã e seda, cerâmica,
vidro), criaram-se as companhias comerciais monopolistas
para as relações com o Brasil e a comercialização do
vinho, remodelou-se profundamente o sistema de ensino
substituindo o pensamento escolástico pelo espírito
científico.
Politicamente deu-se violento confronto entre o
poder absoluto real e a nobreza, aplicaram-se leis
restritivas da influência da Igreja, em especial da
Companhia de Jesus que foi expulsa, foi abolida a
escravatura no Reino, libertados os índios do Brasil, etc.
Apesar de posterior recuo na orientação económica,
continuou a haver progresso nos domínios cultural e das
reformas sociais.

Convento de
Mafra, mandado edificar por D. João V |
Transição para o século
XIX. Ventos de mudança sopram da América e da França onde
a Revolução (1789) abalou os fundamentos da monarquia.
Portugal sentiu o efeito e, aliado á Inglaterra e
à Espanha, entrou na guerra (1794) contra a França
revolucionária.
A recusa de Portugal em aderir ao Bloqueio
Continental, quebrando a aliança luso-britânica, originou
a guerra com a França napoleónica.

Batalha do
Buçaco |
Para salvar a soberania da
Nação, o rei D. João VI e a Corte deslocaram-se (1807)
para o Brasil. O território nacional foi invadido por
tropas francesas (1807, 1809, 1810) mas foram derrotadas
pelos exércitos portugueses com a ajuda militar inglesa. A
guerra causou elevados prejuízos ao País.
Entretanto, no
Brasil, houve um surto de desenvolvimento, em especial na
economia, porque a legislação real libertou-a da
subordinação à metrópole.
Em Portugal vivia-se um
clima tenso, a ausência do rei, as dificuldades económicas
provocadas pela abertura dos portos brasileiros ao comércio
internacional e pelo tratado comercial com a Inglaterra
(1810), a influência inglesa no exército português
criavam descontentamento geral. As ideias da Revolução
Francesa eram rastilho de sublevações populares. Uma
revolução (1820) pôs fim à monarquia tradicional.
DA MONARQUIA CONSTITUCIONAL À
PROCLAMAÇÃO DA REPÚBLICA
(1822-1910)
A MONARQUIA CONSTITUCIONAL

D. Pedro IV |
A situação
revolucionária forçou o rei a regressar a Portugal e jurou
a Constituição (1822) liberal que separou os poderes
executivo, legislativo e judicial.
No mesmo ano, o Brasil
proclamou a independência, por decisão do príncipe
regente, imperador do novo reino.
Não foi pacífica a
implantação da monarquia constitucional porque outro filho
de D. João VI, D. Miguel, liderou o movimento contra-revolucionário.
Por morte do monarca (1826), complicados problemas
sucessórios conduziram á restauração do absolutismo
(1828) e depois á luta entre liberais, chefiados pelo
ex-imperador do Brasil, D. Pedro, e absolutistas.
A guerra
civil (1832-1834) terminou com a vitória dos liberais que
puseram em prática uma progressista política de ensino,
mas não conseguiram estabelecer a paz. Confrontos
frequentes entre facções liberais, revoltas populares
criaram um prolongado clima de desordem.

Desembarque do
exército liberal em Pampelido, por Roque Gameiro |
O regresso da estabilidade
política e da paz social, na segunda metade do século XIX,
permitiu o fomento económico, facilitado quer pela
introdução dos novos meios de transporte e comunicação
quer por novas técnicas industriais e agrícolas criadas
pela revolução industrial e desenvolveu a instrução
pública que beneficiou das ideias do liberalismo.
Na transição para o
século XX, problemas internos desestabilizaram a vida
política e a monarquia constitucional foi contestada.
VIAGENS DE EXPLORACÃO EM ÁFRICA. O
ULTIMATO INGLÊS

O célebre Mapa Cor-de-Rosa. |
Nas últimas décadas do
século XIX intensificaram-se as viagens dos exploradores
portugueses ao interior da África. Portugal, que participou
na Conferência de Berlim (1884-85), concebeu o plano de
unir Angola a Moçambique, pelo interior.
Entretanto, o
continente africano atraíra as nações europeias
industrializadas. A Inglaterra, interessada na região, a 11
de Janeiro de 1890 intimou Portugal a abandonar aquele projecto. A
Nação reagiu, mas o governo teve de ceder, intensificando
porém a pacificação tribal e a ocupação dos
territórios para delimitar as fronteiras.
DIFUSÃO DAS IDEIAS REPUBLICANAS
A ideologia republicana
proliferou no contexto da política liberal, criando adeptos
entre intelectuais e políticos, infiltrou-se nas forças
militares. Os republicanos, que aproveitavam todos os
pretextos para atacar o Governo e agitar a opinião
pública, desencadearam a primeira tentativa de
implantação da república (1891).
Debatendo-se com difíceis
problemas financeiro-políticos, a monarquia recorreu á
ditadura (1906-1908) para travar a derrocada mas obteve
resultados negativos. O rei foi assassinado (1908). O regime
pouco mais tempo sobreviveu.
| Dinastia
de Borgonha |
Dinastia
Filipina |
| D.
Afonso Henriques (1128) |
Filipe
I (1580) |
| D.
Sancho I (1185) |
Filipe
II (1598) |
| D.
Afonso II (1211) |
Filipe
III (1621) |
| D.
Sancho II (1223) |
|
| D.
Afonso III (1248) |
|
| D.
Dinis (1279) |
Dinastia
de Bragança |
| D.
Afonso IV (1325) |
D.
João IV (1640) |
| D.
Pedro I (1357) |
D.
Afonso VI (1656) |
| D.
Fernando I (1367) |
D.
Pedro II (regente, 1667, rei, 1683) |
| |
D.
João V (1706) |
| Dinastia
de Avis |
D.
José I (1750) |
| D.
João I (1385) |
D.
Maria I (1777) |
| D.
Duarte (1433) |
D.
João VI (regente, 1792, rei, 1816) |
| D.
Pedro (regente, 1441) |
D.
Pedro IV (1826) |
| D.
Afonso V (1448) |
D.
Miguel (1828) |
| D.
João II (1481) |
D.
Maria II (1834) |
| D.
Manuel I (1495) |
D.
Pedro V (1853) |
| D.
João III (1521) |
D.
Luís I (1861) |
| D.
Sebastião (1557) |
D.
Carlos I (1889) |
| Cardeal
D. Henrique (1578) |
D.
Manuel II (1908) |
I REPÚBLICA
(1910-1926)

Barricadas em 5 de
Outubro de 1910 |
Uma revolução implantou a
República (1910). O Governo provisório definiu um rumo
político ao legislar sobre a família, a separação da
Igreja e do Estado, o ensino. A nova Constituição que
estabeleceu o regime parlamentar foi promulgada (1911),
Manuel de Arriaga assumiu a chefia da Nação.
Na primeira década do
regime, grande actividade legislativa visou sectores
fundamentais como o social, o educativo, o financeiro, mas
esse trabalho construtivo foi contrariado pela instabilidade
governativa provocada pelos partidos republicanos da
oposição e a vida nacional não enveredou pelo esperado
caminho de progresso.
Apesar das dificuldades
internas, Portugal participou (1916) na I Grande Guerra, ao
lado dos Aliados, lutou em África contra os alemães que
atacavam Angola e Moçambique. A participação no conflito
evitou a perda daqueles territórios africanos.
O esforço de guerra não
deteve o confronto entre os partidos republicanos e a
ditadura foi instaurada (1917-1918). O mal-estar social
agravou-se, a agitação política cresceu, gerou-se um
clima propício á intervenção militar.
II REPÚBLICA
(1926-1974)
DERRUBE DA DEMOCRACIA PARLAMENTAR. O
GOVERNO MILITAR

Gomes da Costa e
as suas tropas desfilam vitoriosos em Lisboa (6 de
Junho de 1926) |
Em 1926, forças militares
desencadearam um golpe que não teve oposição armada,
porém, os interesses político-económicos subjacentes
quebraram a unidade inicial e, poucos dias depois, outro
movimento militar tomou conta do Poder. A oposição
democrática ripostou com acções revolucionárias (1927,
1928) sufocadas.
A situação
económico-financeira do País era grave. Neste contexto,
Oliveira Salazar assumiu a pasta das Finanças (1928)
impondo uma política de austeridade para resolver o
desequilíbrio orçamental e a indisciplina administrativa
financeira; em 1932 foi nomeado Chefe do Governo.
O ESTADO NOVO
(DA IMPLANTAÇÃO A 1950)

António de
Oliveira Salazar |
Entre 1928-1930
definiram-se os princípios enformadores do Estado Novo:
instauração do Estado forte; substituição dos partidos
políticos pela "União Nacional";
institucionalização do corporativismo; orientação da
política portuguesa africana pelos princípios do
"Acto Colonial".
Em 1933 o País teve nova
Constituição, de características doutrinárias, que
estabeleceu o Estado Corporativo.
O regime, assente na ordem
administrativa e no equilíbrio orçamental, manteve as
medidas restritivas das liberdades fundamentais; pôs em
prática um amplo programa de reformas (tributárias,
financeiras, administrativas) ; realizou um plano de obras
públicas a nível de infra-estruturas (rede de estradas,
portos e aeroportos, edifícios para a justiça, bairros
sociais); implementou acções de povoamento florestal, etc.
Na II Guerra, o Governo
declarou a neutralidade de Portugal. A vitória dos Aliados
não originou a abertura política que a Oposição
esperava.
O REGIME NO PÓS-GUERRA
(1950-1968)

Soldados
portugueses embarcam
para a guerra colonial |
A estabilidade do regime
foi perturbada pelas eleições presidenciais de 1958, no
entanto o candidato oficial foi eleito. Não obstante a
política de desenvolvimento planeado iniciada nos anos 50,
Portugal não deu, até ao fim da década, o salto para sair
da situação de atraso o que originou um surto de
emigração (1960-1970) para os países europeus em
recuperação económica.
Na década de 60, o
desenvolvimento industrial acelerou (criação de sectores
tecnologicamente avançados) progresso que as actividades
primárias não acompanharam. Do ponto de vista político
vários acontecimentos puseram em foco o regime (tentativas
de golpes militares em 1961-1962, greves estudantis).
Porém, os acontecimentos mais graves, que acentuaram o
isolamento do regime nas esferas internacionais,
registaram-se (1961) em Angola (início da rebelião armada)
e no Estado da Índia (ocupação por tropas da União
Indiana) ; pouco tempo depois irromperam os movimentos de
independência na Guiné (1963) e Moçambique (1964).
O Governo respondeu
militarmente á guerrilha e promoveu o desenvolvimento
económico daqueles territórios onde afluíram milhares de
colonos idos da metrópole. A situação de guerra em
África impunha ao País pesados encargos financeiros e a
Oposição fez do protesto contra a guerra um forte motivo
de pressão política. Salazar, que chefiou o Governo
durante 36 anos, teve de ser afastado do cargo em 1968, por
motivo de saúde.
RENOVACÃO NA CONTINUIDADE. A QUEDA
DO REGIME
(1968-1974)

Marcelo Caetano |
Marcelo Caetano foi o novo
Chefe do Governo (1968). A Oposição esperou a
implantação de um regime pluripartidário. A abertura
política indicada tomou a forma de "renovação na
continuidade" sem discussão do princípio que Portugal
continuaria a defender a presença em África: o fomento da
indústria prosseguiu e registou-se nova orientação na
política social.
O prolongado esforço de
guerra e a ausência de solução militar e política para o
conflito fizeram aumentar, no início dos anos 70, o
descontentamento designadamente de alguns sectores
militares.
Em 1974 (Março) deu-se uma tentativa de golpe
militar para derrubar o governo. Em Abril seguinte o regime
caiu em consequência de um movimento militar que agiu sem,
praticamente, encontrar oposição.
III REPÚBLICA
Primeira página
do jornal «República» sem censura |
A acção militar
desencadeada pelo Movimento das Forças Armadas (MFA), em 25
de Abril de 1974, visou implantar a democracia
pluripartidária. O Programa do MFA continha as linhas
orientadoras da vida nacional até que fosse promulgada a
nova Constituição da República.
Soldados nas ruas |
A Junta de Salvação Nacional assumiu o poder enquanto não
foi nomeado o Governo. Constituída por sete militares, de
entre eles foi escolhido o Presidente da República, General
António de Spínola.
Em Maio de 1974 tomou posse
o I Governo Provisório, chefiado pelo Prof. Adelino da
Palma Carlos.
Seguiram-se-lhe cinco outros governos
provisórios que conduziram o País através de um percurso
agitado, durante o qual se registaram factos profundamente
modeladores da presente realidade nacional: ainda em 1974, a
Guiné-Bissau viu reconhecida a independência; em Abril de
1975, foi eleita a Assembleia Constituinte; entre Junho e
Novembro de 1975, Moçambique, Cabo Verde, S. Tomé e
Príncipe e Angola tornaram-se independentes.
Rendição de
Marcelo Caetano no Quartel do Carmo |
No ano de 1976 foi
promulgada a Constituição, decorreram eleições para a
Assembleia da República, para a Presidência da República
e para as Autarquias.
Nas eleições presidenciais saiu
eleito, por maioria absoluta, o General Ramalho Eanes.
Também, em consequência dos resultados eleitorais para a
Assembleia da República, assumiu a presidência do I
Governo Constitucional o Dr. Mário Soares, líder do
Partido Socialista.
Desde então, o País tem
vivido um processo político, comum nas democracias
ocidentais, de alternativa de opções políticas na chefia
do Governo.
REPÚBLICA
I República
- Dr. Teófilo Braga (1) 1910
- Dr. Manuel de Arriaga 1911
- Dr. Teófilo Braga 1915
- Dr. Bernardino Machado 1915
- Dr. Sidónio Pais 1917
- Contra-almirante Canto e Castro 1918
- Dr. António José de Almeida 1919
- Manuel Teixeira Gomes 1923
- Dr. Bernardino Machado 1925
II República
- Comandante Mendes Cabeçadas 1926
- General Gomes da Costa 1926
- General Fragoso Carmona 1926
- General Craveiro Lopes 1951
- Contra-almirante Américo Tomás 1958
III República
PRESIDENTES DA REPÚBLICA
- General António de Spínola 1974
- General Francisco da Costa Gomes 1974-1976
- General António Ramalho Eanes 1976-1980
- General António Ramalho Eanes 1980-1986
- Dr. Mário Soares 1986
CHEFES DOS GOVERNOS
PROVISÓRIOS
I - Prof. Adelino da Palma Carlos 74.05.16
II - General Vasco Gonçalves 74.07.18
III - General Vasco Gonçalves 74.10.01
IV - General Vasco Gonçalves 75.03.26
V - General Vasco Gonçalves 75.08.08
VI - Almirante Pinheiro de Azevedo 75.09.19
CHEFES DOS GOVERNOS
CONSTITUCIONAIS
I - Dr. Mário Soares 76.07.23
II - Dr. Mário Soares 78.01.30
III - Eng. Nobre da Costa 78.08.29
IV - Prof. Mota Pinto 78.11.22
V - Eng.ª Maria de Lourdes Pintasilgo 79.08.01
VI - Dr. Francisco Sá Carneiro 80.01.03
VII - Dr. Pinto Balsemão 81.01.09
VIII - Dr. Pinto Balsemão 81.09.04
IX - Dr. Mário Soares 83.06.09
X - Prof. Aníbal Cavaco Silva 85.11.06
XI - Prof. Aníbal Cavaco Silva 87.08.17
XII - Prof. Aníbal Cavaco Silva 1991-1995
XIII - Eng. António Guterres 1995-1999
XIV - Eng. António Guterres 1999-2002
XV - Dr. Durão Barroso 2002-2004
XVI - Dr. Santana Lopes 2004-2005
XVII - Eng. José Sócrates 2005-2009
XVIII - Eng. José Sócrates 2009-
(1) Chefe do Governo
Provisório.
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