Geografia de Portugal



Cascais

Apesar da pouca extensão do seu território, o continente apresenta grande diversidade geográfica. O rio Tejo funciona como uma linha de demarcação entre as regiões Norte e Sul, com características de clima, paisagem e formas de povoamento diferenciadas, embora entre elas exista uma faixa de transição.

Clima

Situado na região média da zona setentrional, banhado pelo Atlântico e com uma extensão de costa de 840 km - o que representa 41 % do contorno do seu território - Portugal apresenta, na generalidade, um clima temperado. No entanto, as diferenças entre o Norte e o Sul, a costa e o interior são, em determinadas épocas do ano, bastante nítidas.

No Norte registam-se as mais elevadas precipitações e as mais baixas temperaturas médias anuais, mas é no interior que se verificam as maiores amplitudes térmicas.

A sul do Tejo, porém, já se sentem as influências mediterrânicas, com Verões bastante quentes e prolongados, Invernos curtos e pouca pluviosidade.

Relevo


Serra da Estrela

Com excepção de uma vasta planície, que se estende a sul do Tejo, no território português predominam as montanhas, os vales, por vezes profundos, e alguns planaltos.

O sistema montanhoso do País é um prolongamento das cadeias hispânicas, dispostas em diagonal relativamente à costa.

A cordilheira central, a mais destacada destes sistemas, atinge na serra da Estrela 1991 m.

O Sul é a região das extensões planas; só numa pequena área - serra de S. Mamede - a altitude atinge os 1000 m.

Costa


Praia da Nazaré

A orla litoral, com um comprimento de 840 km, é, em geral, pouco recortada e batida pelos ventos. 

Desde o extremo norte até cerca de um terço do território, na foz do rio Mondego, a costa é baixa e arenosa, subindo progressivamente a altitude para o interior.


Praia do Sudoeste Alentejano

Para sul, e até ao cabo S. Vicente, no extremo sudoeste Europa, as arribas alternam com as terras baixas de dunas e areia. 

A costa algarvia, numa orientação oeste-leste, apresenta duas áreas de características diferentes: a primeira alta e muito recortada, mas depois, e até à fronteira com Espanha, as praias sucedem-se amplas e douradas.

Hidrografia


O Tejo em Santarém

Atravessado por diversos rios, Portugal usufrui de uma apreciável rede hidrográfica.

Os rios de maior caudal nascem em Espanha, salientando-se pela sua extensão e navegabilidade o Douro, com uma extensão da nascente à foz (Porto) de 927 Km (322 km em Portugal); o Tejo, com uma extensão da nascente à foz (Lisboa) de 1.100 Km, o mais extenso da Península Ibérica, (275 km em Portugal) e o Guadiana, com uma extensão da nascente à foz (Vila Real de Santo António) de 810 Km (260 km em Portugal), que desaguam no Atlântico. Os dois primeiros têm numerosos afluentes nas duas margens.

Mencione-se, ainda, o rio Minho, com uma extensão da nascente à foz (Caminha) de 300 km, cujos últimos 70 Km do seu curso fazem fronteira entre Portugal e Espanha.


As escarpas do Douro

O maior rio nascido em Portugal, na serra da Estrela, é o Mondego (220 km).

Mencione-se, também, o Cávado, com uma extensão da nascente à foz (Esposende) de 129 Km e o Zêzere, afluente da margem direita do Tejo ao qual se junta em Constância. É o principal rio português pela sua bacia hidrográfica: 5.000 Km2.

Embora todos os rios tenham regime irregular, no Norte são mais numerosos e com maior caudal ao longo do ano.

No todo hidrográfico, deve referir-se, ainda, pela sua importância no equilíbrio ecológico das zonas ribeirinhas, a ria de Aveiro, os estuários do Tejo e do Sado e a ria de Faro.

Flora


Castanheiro

O território português apresenta uma grande diversidade de culturas e arborização, ao longo do seu território. O Norte, exceptuando a região Nordeste, é caracterizado pela densidade de vegetação, resultante de condições climatéricas favoráveis.


Oliveira

Sucedem-se, conforme as zonas, florestas de pinheiros e carvalhos. Nas terras menos frias do interior, seguindo o curso do Douro superior, numa e noutra margem, as amendoeiras florescem ainda no rigor do Inverno.

Conforme se caminha em direcção ao centro, aparecem também as oliveiras e os soutos de castanheiros, cobrindo largas extensões, que no Norte já surgiam, embora não em tão grandes conjuntos.


Sobreiro

A região centro enquadrava a maior mancha verde contínua de pinheiros da Europa e, mesmo dizimada pelos fogos do Verão, é ainda uma grande fonte de riqueza e de qualidade de vida para as populações locais.

No Ribatejo e no Alentejo, a oliveira é predominante, a par do sobreiro e da azinheira. A figueira prefere o Ribatejo e o Algarve. E é também na zona algarvia, no extremo sul, que volta a aparecer a amendoeira e surge a alfarrobeira.


Seara de trigo no Alentejo

Quanto às plantas herbáceas, o milho, o centeio, o feijão e a batata são mais frequentes no Norte e no Centro; o arroz nas bacias do Mondego, Tejo e Sado; o trigo doira nas planícies da beira Tejo e ao sul deste rio.

A vinha e os pomares são cultivados um pouco por todo o País, havendo, no que respeita à vinha, várias regiões demarcadas, sendo de salientar, pela sua qualidade e importância, o generoso Vinho do Porto, que se produz nos socalcos das encostas do rio Douro.

Fauna


Bovinos

A predominância de uma ou outra espécie de gado varia conforme as condições do solo e do clima.

Na faixa litoral norte e centro, o gado bovino é mais abundante, devido aos prados e pastagens que se mantêm verdes ao longo de quase todo o ano. 

O gado caprino é principalmente das terras montanhosas, de pastagem pobre, como em algumas zonas do Norte e do Centro interior.


Ovinos

Nas lezírias do Tejo, pascem belas manadas de touros e cavalos. Ao sul, nos montados do Alentejo, o gado suíno encontra o seu elemento mais adequado, enquanto nos flancos das montanhas e até nas planícies, surge o gado ovino e caprino facilmente adaptável às mais diversas condições. Por isso se encontra representado em todo o País, com especial referência para a região da serra da Estrela.

As zonas ostreícolas e de outros moluscos são numerosas em Portugal, especialmente nas margens do estuário do Tejo, ria de Aveiro, lagoa de Óbidos e na costa algarvia. A pesca faz-se ao longo dos 840 km de costa e nalguns rios e lagoas, sendo notável a variedade de peixes e crustáceos existente em águas portuguesas.


Lobo Ibérico

A fauna selvagem é representada pelo lobo ibérico, lince, javali, veado, texugo, lontra, marta, tourão, garranos (Serra do Gerês), gato bravo, raposa, sacarrabos, ouriço, texugo, toupeira, gato bravo, coelho bravo, lebre, morcego, lontra. 

A avifauna portuguesa é abundante: águia real, abetarda, perdiz, grifo, falcão peregrino, bufo real, pega azul, alfaiate, cruza-bicos, mergulhão, galinha-de-água, galeirão, coruja-das-torres, rabirruivo, corvo-marinho, mocho, noitibó, papa-ratos, felosa, pintassilgo, guarda-rios, águia-pesqueira, perna-longa, pardela-preta, pato-real, milhafre, gavião, painho, garça-boeira, 


Águia Real

peneireiro, milhano, codorniz, caimão, sisão, alcaravão, borrelho, tarambola, abibe, pilrito, narceja, galinhola, maçarico, gaivota, tordo, calhandra, cotovia, laverca, alvéola, ferreirinha, rouxinol, fuinha, toutinegra, chapim, gralha, gaio, estorninho, pintarroxo, tentilhão, pardal, trigueirão, siserão, etc.

Cães de raça portuguesa mais conhecidos: Castro Laboreiro, Serra da Estrela, cão de água, rafeiro alentejano, Serra de Aires, podengo, cão de fila de S.Miguel, pastor alentejano.

A Madeira


Madeira

O arquipélago da Madeira, de origem vulcânica, fica situado no oceano Atlântico, a cerca de 566 milhas a sudoeste de Lisboa, e é constituído pelas ilhas da Madeira, Porto Santo, Desertas e Selvagens.

A ilha da Madeira, de configuração alongada (cerca de 50 km de comprimento e 23 km de largura), é muito pitoresca com as suas altas montanhas, as inúmeras ribeiras, quedas de água e uma vegetação luxuriante e opulenta. De salientar o generoso vinho da Madeira, as frutas tropicais e as flores, que constituem já uma base apreciável de exportação. Com um clima de tipo mediterrânico, tem temperaturas amenas e agradáveis todo o ano, o que constitui um importante factor de atracção turística.

A ilha de Porto Santo é bastante mais pequena e menos húmida e, portanto, menos arborizada que a da Madeira. Mas enquanto esta tem a costa alta e escarpada, Porto Santo alonga-se em belas praias de areia fina e mar igualmente temperado. Por isso está a ser, nos últimos tempos, muito procurada por aqueles que desejam passar férias tranquilas á beira-mar.

As ilhas Desertas e Selvagens são formadas por pequenos ilhéus rochosos com rara vegetação rasteira e por isso desabitadas. Esses ilhéus constituem uma extraordinária reserva de aves marinhas.

Os Açores


Ilha de S. Miguel

Este arquipélago situa-se também no oceano Atlântico, tem origem vulcânica e é constituído por nove ilhas, e alguns ilhéus, assim agrupados: Santa Maria, S. Miguel e ilhéus das Formigas (grupo oriental); Terceira, Graciosa, S. Jorge, Pico e Faial (grupo central) ; Flores e Corvo (grupo ocidental) e as mais distantes do continente.

A sua situação geográfica, entre a Europa e a América do Norte (760 milhas de Lisboa e 2110 de Nova Iorque), confere-lhe uma posição estratégica importante. O clima é temperado marítimo, com chuvas abundantes, havendo, no entanto, algumas diferenças climáticas entre os diversos grupos de ilhas.

O solo é fértil em cereais, legumes, batata-doce, laranjas e bananas e, devido às suas pastagens, verdes durante todo o ano, a criação de gado bovino é factor importante da sua economia, bem como a indústria de lacticínios daí derivada. São numerosas as crateras de vulcões extintos, algumas formando lagoas, as águas termais e as emanações sulfurosas, o que juntamente com a grande beleza das ilhas, funciona como atracção turística, que, de ano para ano, se vai desenvolvendo. O mar á volta das ilhas é extremamente rico em peixe, pelo que muita da sua população se dedica á faina da pesca.

 

 


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